Audiência Pública discute Saúde Mental e Prevenção ao Suicídio

A Câmara Municipal de Montes Claros promoveu uma Audiência Pública na última quinta-feira (6), para discutir a situação da saúde mental no município, estado e país. A audiência, solicitada pelo Vereador Wilton Dias (PHS), abordou sobre o aumento de casos de suicídios no Brasil e destacou quais políticas públicas são necessárias para combater esse quadro.

Participaram da Audiência, representantes do Ministério da Saúde, Secretaria Municipal de Saúde, Polícia Militar, Federação de Medicina, além do Conselho Nacional e Regional de Medicina.

Durante sua fala, Antônio Geraldo da Silva, presidente da Associação psiquiátrica da América Latina, apresentou dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), que mostram que o suicídio é a segunda causa de morte entre jovens e crianças no mundo, maioria do sexo masculino, entre 10 e 24 anos.

“Em pouco tempo, a depressão será a segunda forma de incapacidade laboral mais recorrente no mundo. A cada 40 segundos um suicídio acontece no mundo, totalizando 800 mil casos ao ano. No Brasil, são 32 suicídios por dia, sendo a quarta maior causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos”, Dese modo, o psiquiatra ratificou a necessidade de refletir sobre esses dados.

“A saúde mental precisa ser vista como caso de emergência médica, assim como os demais, é preciso que exista equipe especializada no SUS para tratar esse tipo de emergência. O suicídio é uma tragédia global, pessoal e também familiar. Uma tragédia silenciosa que, muitas vezes, é uma denúncia de uma crise coletiva. Toda morte fala algo da sociedade em que ela ocorre. Por isso, precisamos pensar o suicídio como problema de saúde pública”, completou Antônio Geraldo.

O professor Quirino Cordeiro representante do Ministério da Saúde, apresentou as ações desenvolvidas pelo ministério desde o ano passado para combater o suicídio. Na oportunidade, comentou também sobre o fortalecimento do Centro de Valorização da Vida (CVV), que realiza apoio emocional e prevenção do suicídio, atendendo voluntária e gratuitamente aqueles que entram em contato.

“Desde quando se tornou gratuito, o 188 dobrou o número de atendimentos. Quem precisa e quer conversar, tem 24 horas por dia esse sistema de apoio. Além disso, o Ministério da Saúde passou a investir em campanhas que buscam conscientizar sobre a importância de cuidar da saúde psicológica, bem como identificar possíveis sinais que podem mostrar uma depressão naqueles que estão próximos”, falou.

Um dos participantes que assistiu a Audiência, Jairo Oliveira, perguntou ao Presidente do Conselho Regional de Medicina, Itagiba Castro Filho, sobre o fechamento do Prontomente – Hospital Psiquiátrico que atendia pacientes do SUS em Montes Claros. Nas palavras do participante, foi questionada a possibilidade da reabertura da instituição que aceite internação de pacientes em crise.

Em resposta, Itagiba informou que o Prontomente foi fechado por problemas de dívidas, em um momento em que foi implementado a política antimanicomial - reforma que orienta que a abordagem de pessoas com transtornos mentais ocorra com a menor intervenção possível, valorizando a atenção de base comunitária e não a segregação em hospitais ou o tratamento em manicômios.

“Mas a política da saúde mental está sendo revista exatamente devido ao aumento de casos de suicídios, o que mostra que em alguns casos, é necessário um hospital que atenda casos de emergência psiquiátrica. Sendo assim, acreditamos que haja mudança nesse sentido, para que espaços como o Prontomente possam ser reabertos”, disse.

O Vereador Wilton Dias, propositor da Audiência, ressaltou o trabalho da Câmara Municipal em discutir o assunto.

“Aprovamos recentemente o Projeto de Lei que institui a Campanha de Valorização da Vida, denominada Setembro Amarelo e Dia Municipal de prevenção ao Suicídio no Calendário Oficial de Montes Claros, que passa a ser lembrado no dia 10 de setembro”, falou.

 

Casos em Montes Claros


Dados da Secretaria Municipal de Saúde apontam que nos oito primeiros meses deste ano, Montes Claros registrou 17 casos de suicídio, a maioria entre homens de 35 a 44 anos. O número é maior que o registrado em todo o ano passado, que foram 12, e próximo ao total de 2016, quando 19 pessoas tiraram a própria vida. O último registro do Ministério da Saúde, realizado em 2015, mostrou que o autoextermínio é a quarta causa de morte no país, ficando atrás de violência e acidentes de trânsito.

“São números que nos preocupam e mostram o quanto é importante falar sobre o problema, cercado de tabus e preconceitos. Embora seja um assunto muito delicado, o suicídio precisa ser abordado a fim de ser prevenido”, completou o parlamentar.