Descriminalização do aborto pauta audiência

A Câmara Municipal de Montes Claros promoveu audiência pública na manhã de hoje (16/8) para discutir sobre não descriminalização da interrupção da gravidez até a 12ª semana de gestação. A audiência foi de iniciativa do Vereador Júnior Martins (PPS).

Está sendo discutido no Supremo Tribunal Federal a PEC 181/2015, que insere na Constituição a proibição do aborto em todos os casos, inclusive os já previstos hoje pela legislação (em caso de estupro ou se o feto não tiver cérebro).

O objetivo da audiência foi mostrar os riscos à saúde da mulher na prática do aborto e as consequências do procedimento.

“Não estamos aqui para julgar valores éticos ou morais. A manifestação é sobre a integridade humana e os riscos que esse tipo de procedimento traz. O aborto é um homicídio no ventre é um ato contra a vida humana”, pontuou Júnior Martins.

A audiência contou com representantes de igrejas católicas e evangélicas. Dom João Justino que é arcebispo coadjutor da Arquidiocese de Montes Claros, apresentou o posicionamento de todos os bispos do Brasil.

“Condenamos qualquer iniciativa que induza o aborto. Defendemos a vida, desde a concepção até a morte, isso não é uma argumentação de cunho ideológico ou religioso, pois ninguém tem o direito de tirar a vida do outro”, pontuou o sacerdote.

O pastor da igreja Assembleia de Deus, Joel Marcos Lopes Moreira, destacou que o feto (bebê) não é uma extensão do corpo da mulher.

“Deus que dá a vida e só ele pode tirar. A prática não compete a partidos políticos e nem a ativistas, pois o feto é um ser humano”.

A Pastoral da Criança realiza serviços para gestantes e crianças de 0 a 6 anos de idade. A coordenadora da instituição, Eliane de Souza, relatou que a maioria das mulheres atendidas pela Pastoral e que já tentaram ou conseguiram abortar, são casadas e com filhos.

“Não falamos para elas ‘não abortar’, o que fazemos é mostrar a importância e a graça de ser mãe. Se engana quem pensa que grande parte dos procedimentos abortivos é feito por mulheres solteiras e universitárias – o maior número de casos é de donas de casa, que vão à igreja e que devido o marido ser violento ou não ter condições financeiras resolvem ‘tirar a criança’ através de ‘garrafadas’ (remédios caseiros a base de ervas)”, concluiu a coordenadora.

Assessoria de Comunicação da Câmara Municipal de Montes Claros